quarta-feira, 29 de maio de 2013

O encontro com Jesus

    Quando uma alma piedosa se aproxima do tabernáculo, para adorar o seu divino hóspede, Jesus fica-lhe sorrindo ternamente; mas quando esta alma se aproxima da Mesa da Comunhão,  o Divino menino, velado pelas aparências da hóstia, estende os bracinhos aos que vão recebê-lo. Que alegra para Ele, quando chega o momento da Comunhão, quando ouve ranger no tabernáculo; quando sua prisão se abre. Não pode conter-se!
     O sacerdote não se apressa bastante, e às vezes a hóstia sagrada escapa das suas mãos e voa até os lábios do comungante: Jesus tem fome de ser comido: tomai e comei este é meu Corpo!
  O fim da Eucaristia é alimentar. Alimentar é dar mais vida. Recebendo mais vida temos mais ser, e na medida que cresce nosso ser espiritual, Deus se estende N'Ele largamente, ampara-se N'Ele mais fortemente, e une-se com Ele mais intimamente. 
    Pela Sagrada Comunhão recebemos realmente o Corpo de Jesus Cristo, porém o que assimilamos  é qualquer coisa de sua vida divinizada. Digamos melhor: é esta própria vida que se apodera de nós, como o oceano se apodera de uma gota d'água caída na imensidade, incorpora-a, absorve-a, pois somos absorvidos pela a divindade |...|. 
     Possamos encontrar muitas vezes este Jesus, no fundo do tabernáculo, donde ele quer sair para entrar nos nossos corações para tomar posse da nossa alma, uni-la a sua natureza divina, transformá-la na sua graça para que seja um só com Ele - Tu em nós, e nós em Ti! Para que esta união, começada aqui nas trevas, no exílio, possa estender-se até a glória da Trindade Celeste. 


|Mistagogia Eucarística do 
Pe. Júlio Maria De Lombaerde. 
O Lutador, 2009. pp. 30-31|

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Mística do ENCONTRO no itinerário vocacional

Encontro na Cidade de UNIÃO - PI

       Seguindo a pedagogia do evangelista são Lucas 24, 13-35, fizemos uma divisão em quatro partes. 
   Lucas narra quatro grandes encontros no caminho de Emaús, a saber: Encontro com meu “eu”  ( Lc 24, 13-24 ) este encontro faz os dois discípulos encarar  a própria realidade, sofrida, traumática, mas que não poderia ser negada... encontro com a Palavra de Deus (Lc 24, 25-27 ) que faz arder o coração e gera acolhimento do estrangeiro na casa; encontro com o Cristo eucarístico (Lc 24, 28-31) que abre os olhos dos discípulos para reconhecê-LO e o encontro missionário (Lc 24, 32-35) de partilha e alegria que se dá quando os dois discípulo falam da experiência vivida junto ao Mestre... 
      O caminho vocacional tem um começo decisivo que marca todo o caminhar, a saber, o encontro com Jesus. Mas encontrar com Jesus não significa apreender uma grande ideia, e sim, entrar em relação com uma pessoa, com um projeto existencial. Por isso, todo itinerário vocacional se edifica sobre uma base humana, que chamamos de Encontro com o meu "eu", pois Cristo é o humano por excelência e encontrar-se com Ele significa encontrar a nossa própria humanidade, ou melhor, a nossa condição filial. O encontro com a Palavra de Deus aprofunda o conhecimento de Cristo e nos faz apaixonar pela sua causa de amor. sem este contato amoroso com a Palavra de Deus não poderíamos dizer que somos cristãos, porque "quem desconhece as Escrituras, desconhece Cristo", dizia São Jerônimo. Um terceiro encontro que marca toda experiência cristã, é o encontro à mesa com o Mestre. a Eucaristia abre-nos ao mistério de Deus. É, pois, diante do Altar que se compreende toda vocação cristã. E por último, mas não menos importante, é o Encontro com o outro que está distante, mas que espera uma palavra de animo e esperança, é o que chamamos de encontro missionário. 
     Foi muito interessante o envolvimento dos jovens na dinâmica do ENCONTRO e como eles também puderam saborear um pouquinho dessa experiência vivida pelos jovens de Emaús. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O ENVIO DO ESPÍRITO SANTO


Ao dar a seus discípulos poder para que
 fizessem os homens renascer em Deus,
o Senhor lhes disse: Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome  do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19)

            Deus prometera, por meio dos profetas, que nos últimos tempos derramaria o seu Espírito sobre os seus servos e servas para que recebessem o dom da profecia. Por isso, o Espírito Santo desceu sobre o Filho de Deus, que se fez Filho do homem, habituando-se com ele a conviver com o gênero humano, a repousar sobre os homens e a morar na criatura de Deus. Assim renovava os homens segundo a vontade do Pai, fazendo-os passar da sua antiga condição para a vida nova em Cristo.

            São Lucas nos diz que esse Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os
discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de fazê-los participar da Nova Aliança. Eis por que, naquele dia, todas as línguas se uniram no
mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as raças mais diferentes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações.

            Foi por isso que o Senhor prometeu enviar o Paráclito, que os tornaria capazes de receber a Deus. Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto.

            Com efeito, nossos corpos receberam, pela água do batismo, aquela unidade que os torna incorruptíveis; nossas almas, porém, a receberam pelo Espírito. O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e de temor de Deus (Is 11,2). É este mesmo Espírito que o Senhor por sua vez deu à Igreja, enviando do céu o Paráclito sobre toda a terra, daquele céu de onde também Satanás caiu como um relâmpago (cf. Lc 10,18).

            Por esse motivo, temos necessidade deste orvalho da graça de Deus para darmos fruto e não sermos lançados ao fogo, e para que também tenhamos um Defensor onde temos um acusador. Pois o Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado da sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem ele, cheio de compaixão, enfaixou as feridas e deu dois denários reais. Tendo assim recebido pelo Espírito a imagem e a inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os restituamos multiplicados ao Senhor.

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo

(Lib. 3,17,1-3:SCh34,302-306) / (Séc.II)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Maria, Mãe e Mestra da espiritualidade julimariana


Pe. Júlio Maria de Lombaerde via em Maria o caminho seguro para se aprender a vontade de Deus. Maria foi sua mãe e mestra de vida espiritual e de seu apostolado junto ao Povo de Deus.
Maria plasmou o jeito de ser e de viver do nosso Fundador. Nos seus escritos não encontramos um simples “devocionismo” ou uma piedade mariana desencarnada da realidade. Temos uma catequese mariana enraizada na contemplação dos mistérios de Deus presentes na vida de Maria. Pe. Júlio Maria fala de Nossa Senhora a partir de sua experiência de fé, tendo sempre em vista a rica Tradição da Igreja.
  Pe. Júlio Maria De Lombaerde não faz uma “mariologia”, no sentido primeiro do termo. O seu grande esforço está em mostrar que a devoção a Maria Santíssima tem como ponto de referência o próprio a pessoa de Jesus Cristo. “Para assemelhar-se a Jesus é indispensável tornar-se parecido com Maria”, escreve o nosso Fundador, ou ainda, “Quereis formar almas eucarísticas? Formai almas marianas! Quereis levar almas aos pés de Jesus Cristo? Lançai-as nos braços de Maria”.  Podemos dizer que sua “mariologia” se faz em vista de uma “cristologia”. O seu foco principal é Jesus e a salvação que nos vem por meio d’Ele.
Nas meditações de nosso Fundador percebemos um forte interesse eclesiológico. Maria é mãe de Jesus e de todos os cristãos e é modelo acabado da igreja. Segundo o Pe. Júlio Maria, “a Virgem Maria é o mais profundo reflexo da doutrina da Igreja, por que nos mostra perfeitamente Jesus Cristo, fundador da mesma. Ao primeiro encontro do céu e da terra, a Verdade divina apresenta-se no mais amplo desenvolvimento, contendo em si mesma todo cristianismo e pela sua união a Maria, por efeito de reciprocidade, todo o cristianismo está repleto da Virgem- Mãe... Deste modo é pelo conhecimento do culto de Maria que podemos estudar e contemplar tudo que há de interior e profundo na Igreja, da qual é boa e caridosa Mãe. Como contraprova, não se reconhece perfeitamente Maria e não podemos honrá-la dignamente, senão entrando no espírito desta mesma Igreja, a quem foi confiado o místico santuário de seu amor.”
Neste sentido, sua reflexão está em pleno acordo com o que dirá mais tarde o Concílio Vaticano II: “Como Maria, a Igreja também deve ser Mãe e Virgem: Mãe, porque a Igreja também deve gerar novos filhos; Virgem, porque a Igreja também deve guardar-se ‘íntegra’ para o seu esposo” (LG, n. 67). Maria é apresentada como a “imagem” exemplar da Igreja.
No pensamento do Pe. Júlio Maria, a Virgem Mãe é modelo de vida para todos os cristãos. De modo especial, para os seus religiosos. Estes deveriam olhar para a Virgem Maria e reterem para si tudo o que ela viveu e nos deixou como exemplo: a escuta atenta à Palavra de Deus; o silêncio meditativo, a humildade, o despojamento, a generosidade, a virgindade fecunda, a oração cotidiana; o ardor e o fervor pelo anúncio do Reino de Deus, o cuidado e a preocupação com os mais pobres, etc.   
 Com o Pe. Júlio Maria, aprendemos que Maria é nossa mestra de vida espiritual, modelo de contemplação eucarística e de cumprimento das exigências eucarísticas no mundo.  Ela é mestra na vivência eucarística, porque soube muito bem ouvir e acolher a Palavra de Deus. Ainda: foi capaz de discernir com sabedoria a vontade de Deus por meio de uma profunda vida de oração. Como escreve o Papa João Paulo II, “Maria é mulher ‘eucarística’ na totalidade da sua vida. [...]. Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor” (Ecclesia de Eucharistia, n. 53 e 55).
 Na companhia terna da Virgem de Nazaré, com os olhos fixos em Jesus Cristo, “razão da nossa esperança”, caminhemos pelas vias da nossa existência na certeza da presença do Senhor sempre conosco. Que a Mãe da Eucaristia nos mostre o fruto bendito do seu ventre e nos ensine a responder sim ao chamado que Ele nos faz, a fim de que saiamos de nós mesmos e trilhemos no rumo de nossos irmãos e irmãs mais necessitados do nosso afeto e serviço, como fez Maria na visita à sua prima Isabel, para que, juntos cantemos as maravilhas que o nosso Deus realiza constantemente em nossa vida. 

Diác. Frt. Rodrigo Ferreira, SDN - Na ocasião da Festa de N. Sra. do Smo Sacramento comemorado no dia 13 de maio - Dia dos Sacramentinos

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O que é a SANTIDADE?




Imaginando uma conversa com o nosso Fundador, certamente Ele não polparia nas suas palavras, cheias de missionariedade em dizer que: a santidade é o abrir-se nas coisas mais simples à caridade de Deus. Isso, por que a sua vida missionária compreendia a concretização desta caridade na vida de tantas pessoas sofridas com que Ele conviveu em seu tempo.