Estamos encaminhando para o
encerramento do Tempo Quaresmal, onde fomos convidados a fazer uma maior
experiência de Deus em nosso cotidiano. A liturgia neste período, nos convidou
para um processo de conversão e purificação do nosso ser, através de uma
intensa vida de: oração (cf. Mt 6, 5-6), jejum (cf. Mt 6, 16-18) e esmola (cf. Mt
6, 1-4), para que com a “experiência” da
dor e do sofrimento de Cristo, pudéssemos também com Ele, “ressuscitar”
espiritualmente para uma Vida Nova. Ao longo deste tempo, tudo nos impulsionou
a aproximar, reconciliar e mergulhar cada vez mais, no amor e na misericórdia
de Deus, que é nosso Pai, realizando de forma piedosa a prática do Sacramento
da Penitência.
Com
a celebração do Domingo de Ramos damos início à Semana Santa, momento de uma
maior espiritualidade e aprofundamento no mistério de Jesus Cristo, onde como
cristãos, somos convidados a abandonar os nossos pecados e imperfeições junto
ao madeiro da Cruz, para que também possam ser “sepultados”, na esperança e na
fé de que, em Cristo somos purificados, redimidos e convertidos para uma vida
nova, assumindo com fidelidade o nosso compromisso de batizados, filhos de
Deus.
Na
liturgia da Palavra do Domingo de Ramos (cf. Mt 21, 1-11), vemos a entrada
triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, nos tempos de preparação para a
comemorar a festa da páscoa judaica. Ele entra na mesma, montado sobre um
jumento. À sua frente, pelo caminho onde deveria passar, eram estendidas vestes
como também ramos de árvores, pelas pessoas que o acompanhava. Tudo isto para
dizer que o Reinado de Deus, veio para as pessoas simples, os marginalizados,
os injustiçados da sociedade. E mais, podemos notar que “Jesus busca um reino
de paz e justiça para todos, não um império construído com violência e
opressão. Montado em seu jumentinho, aparece diante daqueles peregrinos como
profeta, portador de uma ordem nova e diferente, oposta à ordem imposta pelos
generais romanos, montados em seus cavalos de guerra”. (José Antônio Pagola).
Jesus caminha para a concretização de sua missão.
Na
Quinta-feira Santa, damos início ao Tríduo Pascal, pela manhã celebramos a
missa da Unidade e da benção dos Santos Óleos: Catecúmeno, Crisma e Enfermos,
onde o Bispo (pastor) da Igreja local celebra abençoando os mesmos que serão
utilizados nas liturgias sacramentais ao longo do ano. No final da missa estes
Óleos são divididos e distribuídos entres as paróquias.
À
noite, celebramos a liturgia da Ceia do Senhor (cf. Lc 22, 14-20), onde o mesmo
faz a Instituição da Eucaristia como alimento capaz de gerar vida plena a toda
humanidade. Nesta noite, reunido com seus discípulos, Jesus toma o pão e o
vinho (frutos do trabalho humano) em suas mãos, e elevando aos céus, dá Graças a
Deus, e depois os reparte com os seus, como sendo seu próprio corpo e sangue,
sinal de uma Nova e Eterna Aliança, que Deus faz com a humanidade.
É
bom lembrarmos aqui, que como cristãos, acreditamos que “no santíssimo
sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e
substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de
Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo.” (Catecismo da Igreja
Católica. n° 1374). E nesse sentido, A comunhão deve nos impulsionar para a
missão, onde abraçamos o compromisso com as pessoas mais necessitadas, sendo
verdadeiros profetas do Reino Celeste, perante uma sociedade que escraviza e
marginaliza a existência do ser humano. É pela Eucaristia que nos tornamos
Igreja, vivendo unicamente para realizar a vontade de Deus, assim como o
próprio Jesus Cristo o fez, na sua condição humana.
Nesta
mesma noite a liturgia também nos motiva à celebração do Lava-pés (cf. Jo 13,
1-15), onde Jesus reunido com seus discípulos levantou-se da mesa, tirou o seu
manto (gesto de esvaziamento de si mesmo), amarrou uma toalha na cintura, pegou
uma bacia com água e se pós a lavar e enxugar os pés de cada um dos seus
discípulos. Todos estes gestos que Jesus realizou, tradicionalmente eram feito
apenas por um escravo ou por uma mulher. Ele assume a condição de servo, mesmo
sendo o Filho do Deus altíssimo. E é isso que Ele quer nos ensinar: o dom do
serviço. No relato bíblico, vemos que Jesus chama a atenção dos seus
discípulos, para que estes façam a mesma coisa que Ele acabou de fazer:
colocar-se a serviço pleno do irmão. Sabendo descer até a realidade do mesmo,
ajudando-o naquilo que lhe mais necessário para viver no amor e na misericórdia
de Deus. Essa é também nossa missão de verdadeiros cristãos nos dias de hoje.
Na
Sexta-feira Santa, celebramos a Paixão e Morte de Jesus Cristo sobre a Cruz
(cf. Jo 18, 1 – 19, 42). Nesta liturgia fazemos memória e buscamos nos colocar
em sintonia com o Cristo sofredor, aquele que doou sua vida para a remissão e
libertação da humanidade que se encontrava “mergulhada” no pecado. Na cruz, por
meio de Cristo, oferecemos também a Deus a nossa vida como sacrifício de louvor
e purificação do nosso ser, para melhor continuarmos servindo ao Reino de Deus,
pelos caminhos da justiça e da caridade.
No
Sábado Santo celebramos a Vigília Pascal, a esperança no Cristo ressuscitado.
Neste dia realizamos a liturgia da vida, pois Cristo Jesus ressuscitou dos
mortos. Ele venceu a morte, o pecado, e nos confirma a certeza de uma vida nova
ao lado da Graça do nosso Pai criador. Jesus se torna agora para cada cristão
uma luz que gera vida e aponta caminhos e nos conduz a Deus. E no Domingo, dia
do Senhor, celebramos a Festa da Páscoa (Ressurreição de Cristo - cf. Jo 20,
11-9). Esta liturgia dá continuidade aos louvores da Vigília Pascal, pois Cristo
ressuscitou! E o projeto de Deus foi cumprido como havia prometido a humanidade
desde gerações passadas. Nessa liturgia somos todos convidados a uma vida nova
com Cristo.
Desejo
a todos os leitores deste artigo, que possam fazer uma rica experiência
espiritual de toda a Semana Santa. Que Deus possa habitar os vossos corações, preenchendo-o
com seu amor e sua Graça. E que através desta experiência íntima Ele, saibamos
discernir a sua vontade para a nossa vida e para as nossas atividades do
cotidiano. Que o bom Deus da Paz nos abençoe e nos fortaleça e nos ilumine
sempre. Amém.
Escrito por: Frt. Gedeir Vieira, SDN
Religioso Sacramentino de Nossa,
residente na Casa de Formação
Pe. Júlio Maria - Estudante do
2º ano de Teologia pela Faculdade
Católica de Fortaleza