Quando uma alma piedosa se aproxima do tabernáculo, para adorar o seu divino hóspede, Jesus fica-lhe sorrindo ternamente; mas quando esta alma se aproxima da Mesa da Comunhão, o Divino menino, velado pelas aparências da hóstia, estende os bracinhos aos que vão recebê-lo. Que alegra para Ele, quando chega o momento da Comunhão, quando ouve ranger no tabernáculo; quando sua prisão se abre. Não pode conter-se!
O sacerdote não se apressa bastante, e às vezes a hóstia sagrada escapa das suas mãos e voa até os lábios do comungante: Jesus tem fome de ser comido: tomai e comei este é meu Corpo!
O fim da Eucaristia é alimentar. Alimentar é dar mais vida. Recebendo mais vida temos mais ser, e na medida que cresce nosso ser espiritual, Deus se estende N'Ele largamente, ampara-se N'Ele mais fortemente, e une-se com Ele mais intimamente.
Pela Sagrada Comunhão recebemos realmente o Corpo de Jesus Cristo, porém o que assimilamos é qualquer coisa de sua vida divinizada. Digamos melhor: é esta própria vida que se apodera de nós, como o oceano se apodera de uma gota d'água caída na imensidade, incorpora-a, absorve-a, pois somos absorvidos pela a divindade |...|.
Possamos encontrar muitas vezes este Jesus, no fundo do tabernáculo, donde ele quer sair para entrar nos nossos corações para tomar posse da nossa alma, uni-la a sua natureza divina, transformá-la na sua graça para que seja um só com Ele - Tu em nós, e nós em Ti! Para que esta união, começada aqui nas trevas, no exílio, possa estender-se até a glória da Trindade Celeste.
|Mistagogia Eucarística do
Pe. Júlio Maria De Lombaerde.
O Lutador, 2009. pp. 30-31|

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