segunda-feira, 13 de maio de 2013

Maria, Mãe e Mestra da espiritualidade julimariana


Pe. Júlio Maria de Lombaerde via em Maria o caminho seguro para se aprender a vontade de Deus. Maria foi sua mãe e mestra de vida espiritual e de seu apostolado junto ao Povo de Deus.
Maria plasmou o jeito de ser e de viver do nosso Fundador. Nos seus escritos não encontramos um simples “devocionismo” ou uma piedade mariana desencarnada da realidade. Temos uma catequese mariana enraizada na contemplação dos mistérios de Deus presentes na vida de Maria. Pe. Júlio Maria fala de Nossa Senhora a partir de sua experiência de fé, tendo sempre em vista a rica Tradição da Igreja.
  Pe. Júlio Maria De Lombaerde não faz uma “mariologia”, no sentido primeiro do termo. O seu grande esforço está em mostrar que a devoção a Maria Santíssima tem como ponto de referência o próprio a pessoa de Jesus Cristo. “Para assemelhar-se a Jesus é indispensável tornar-se parecido com Maria”, escreve o nosso Fundador, ou ainda, “Quereis formar almas eucarísticas? Formai almas marianas! Quereis levar almas aos pés de Jesus Cristo? Lançai-as nos braços de Maria”.  Podemos dizer que sua “mariologia” se faz em vista de uma “cristologia”. O seu foco principal é Jesus e a salvação que nos vem por meio d’Ele.
Nas meditações de nosso Fundador percebemos um forte interesse eclesiológico. Maria é mãe de Jesus e de todos os cristãos e é modelo acabado da igreja. Segundo o Pe. Júlio Maria, “a Virgem Maria é o mais profundo reflexo da doutrina da Igreja, por que nos mostra perfeitamente Jesus Cristo, fundador da mesma. Ao primeiro encontro do céu e da terra, a Verdade divina apresenta-se no mais amplo desenvolvimento, contendo em si mesma todo cristianismo e pela sua união a Maria, por efeito de reciprocidade, todo o cristianismo está repleto da Virgem- Mãe... Deste modo é pelo conhecimento do culto de Maria que podemos estudar e contemplar tudo que há de interior e profundo na Igreja, da qual é boa e caridosa Mãe. Como contraprova, não se reconhece perfeitamente Maria e não podemos honrá-la dignamente, senão entrando no espírito desta mesma Igreja, a quem foi confiado o místico santuário de seu amor.”
Neste sentido, sua reflexão está em pleno acordo com o que dirá mais tarde o Concílio Vaticano II: “Como Maria, a Igreja também deve ser Mãe e Virgem: Mãe, porque a Igreja também deve gerar novos filhos; Virgem, porque a Igreja também deve guardar-se ‘íntegra’ para o seu esposo” (LG, n. 67). Maria é apresentada como a “imagem” exemplar da Igreja.
No pensamento do Pe. Júlio Maria, a Virgem Mãe é modelo de vida para todos os cristãos. De modo especial, para os seus religiosos. Estes deveriam olhar para a Virgem Maria e reterem para si tudo o que ela viveu e nos deixou como exemplo: a escuta atenta à Palavra de Deus; o silêncio meditativo, a humildade, o despojamento, a generosidade, a virgindade fecunda, a oração cotidiana; o ardor e o fervor pelo anúncio do Reino de Deus, o cuidado e a preocupação com os mais pobres, etc.   
 Com o Pe. Júlio Maria, aprendemos que Maria é nossa mestra de vida espiritual, modelo de contemplação eucarística e de cumprimento das exigências eucarísticas no mundo.  Ela é mestra na vivência eucarística, porque soube muito bem ouvir e acolher a Palavra de Deus. Ainda: foi capaz de discernir com sabedoria a vontade de Deus por meio de uma profunda vida de oração. Como escreve o Papa João Paulo II, “Maria é mulher ‘eucarística’ na totalidade da sua vida. [...]. Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor” (Ecclesia de Eucharistia, n. 53 e 55).
 Na companhia terna da Virgem de Nazaré, com os olhos fixos em Jesus Cristo, “razão da nossa esperança”, caminhemos pelas vias da nossa existência na certeza da presença do Senhor sempre conosco. Que a Mãe da Eucaristia nos mostre o fruto bendito do seu ventre e nos ensine a responder sim ao chamado que Ele nos faz, a fim de que saiamos de nós mesmos e trilhemos no rumo de nossos irmãos e irmãs mais necessitados do nosso afeto e serviço, como fez Maria na visita à sua prima Isabel, para que, juntos cantemos as maravilhas que o nosso Deus realiza constantemente em nossa vida. 

Diác. Frt. Rodrigo Ferreira, SDN - Na ocasião da Festa de N. Sra. do Smo Sacramento comemorado no dia 13 de maio - Dia dos Sacramentinos

Nenhum comentário:

Postar um comentário