sábado, 12 de abril de 2014

SEMANA SANTA: Tempo de intimidade com o Mistério de Jesus Cristo

            Estamos encaminhando para o encerramento do Tempo Quaresmal, onde fomos convidados a fazer uma maior experiência de Deus em nosso cotidiano. A liturgia neste período, nos convidou para um processo de conversão e purificação do nosso ser, através de uma intensa vida de: oração (cf. Mt 6, 5-6), jejum (cf. Mt 6, 16-18) e esmola (cf. Mt 6, 1-4),  para que com a “experiência” da dor e do sofrimento de Cristo, pudéssemos também com Ele, “ressuscitar” espiritualmente para uma Vida Nova. Ao longo deste tempo, tudo nos impulsionou a aproximar, reconciliar e mergulhar cada vez mais, no amor e na misericórdia de Deus, que é nosso Pai, realizando de forma piedosa a prática do Sacramento da Penitência.
           Com a celebração do Domingo de Ramos damos início à Semana Santa, momento de uma maior espiritualidade e aprofundamento no mistério de Jesus Cristo, onde como cristãos, somos convidados a abandonar os nossos pecados e imperfeições junto ao madeiro da Cruz, para que também possam ser “sepultados”, na esperança e na fé de que, em Cristo somos purificados, redimidos e convertidos para uma vida nova, assumindo com fidelidade o nosso compromisso de batizados, filhos de Deus.
           Na liturgia da Palavra do Domingo de Ramos (cf. Mt 21, 1-11), vemos a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, nos tempos de preparação para a comemorar a festa da páscoa judaica. Ele entra na mesma, montado sobre um jumento. À sua frente, pelo caminho onde deveria passar, eram estendidas vestes como também ramos de árvores, pelas pessoas que o acompanhava. Tudo isto para dizer que o Reinado de Deus, veio para as pessoas simples, os marginalizados, os injustiçados da sociedade. E mais, podemos notar que “Jesus busca um reino de paz e justiça para todos, não um império construído com violência e opressão. Montado em seu jumentinho, aparece diante daqueles peregrinos como profeta, portador de uma ordem nova e diferente, oposta à ordem imposta pelos generais romanos, montados em seus cavalos de guerra”. (José Antônio Pagola). Jesus caminha para a concretização de sua missão.
          Na Quinta-feira Santa, damos início ao Tríduo Pascal, pela manhã celebramos a missa da Unidade e da benção dos Santos Óleos: Catecúmeno, Crisma e Enfermos, onde o Bispo (pastor) da Igreja local celebra abençoando os mesmos que serão utilizados nas liturgias sacramentais ao longo do ano. No final da missa estes Óleos são divididos e distribuídos entres as paróquias.
          À noite, celebramos a liturgia da Ceia do Senhor (cf. Lc 22, 14-20), onde o mesmo faz a Instituição da Eucaristia como alimento capaz de gerar vida plena a toda humanidade. Nesta noite, reunido com seus discípulos, Jesus toma o pão e o vinho (frutos do trabalho humano) em suas mãos, e elevando aos céus, dá Graças a Deus, e depois os reparte com os seus, como sendo seu próprio corpo e sangue, sinal de uma Nova e Eterna Aliança, que Deus faz com a humanidade.
          É bom lembrarmos aqui, que como cristãos, acreditamos que “no santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo.” (Catecismo da Igreja Católica. n° 1374). E nesse sentido, A comunhão deve nos impulsionar para a missão, onde abraçamos o compromisso com as pessoas mais necessitadas, sendo verdadeiros profetas do Reino Celeste, perante uma sociedade que escraviza e marginaliza a existência do ser humano. É pela Eucaristia que nos tornamos Igreja, vivendo unicamente para realizar a vontade de Deus, assim como o próprio Jesus Cristo o fez, na sua condição humana.
         Nesta mesma noite a liturgia também nos motiva à celebração do Lava-pés (cf. Jo 13, 1-15), onde Jesus reunido com seus discípulos levantou-se da mesa, tirou o seu manto (gesto de esvaziamento de si mesmo), amarrou uma toalha na cintura, pegou uma bacia com água e se pós a lavar e enxugar os pés de cada um dos seus discípulos. Todos estes gestos que Jesus realizou, tradicionalmente eram feito apenas por um escravo ou por uma mulher. Ele assume a condição de servo, mesmo sendo o Filho do Deus altíssimo. E é isso que Ele quer nos ensinar: o dom do serviço. No relato bíblico, vemos que Jesus chama a atenção dos seus discípulos, para que estes façam a mesma coisa que Ele acabou de fazer: colocar-se a serviço pleno do irmão. Sabendo descer até a realidade do mesmo, ajudando-o naquilo que lhe mais necessário para viver no amor e na misericórdia de Deus. Essa é também nossa missão de verdadeiros cristãos nos dias de hoje.
            Na Sexta-feira Santa, celebramos a Paixão e Morte de Jesus Cristo sobre a Cruz (cf. Jo 18, 1 – 19, 42). Nesta liturgia fazemos memória e buscamos nos colocar em sintonia com o Cristo sofredor, aquele que doou sua vida para a remissão e libertação da humanidade que se encontrava “mergulhada” no pecado. Na cruz, por meio de Cristo, oferecemos também a Deus a nossa vida como sacrifício de louvor e purificação do nosso ser, para melhor continuarmos servindo ao Reino de Deus, pelos caminhos da justiça e da caridade.
        No Sábado Santo celebramos a Vigília Pascal, a esperança no Cristo ressuscitado. Neste dia realizamos a liturgia da vida, pois Cristo Jesus ressuscitou dos mortos. Ele venceu a morte, o pecado, e nos confirma a certeza de uma vida nova ao lado da Graça do nosso Pai criador. Jesus se torna agora para cada cristão uma luz que gera vida e aponta caminhos e nos conduz a Deus. E no Domingo, dia do Senhor, celebramos a Festa da Páscoa (Ressurreição de Cristo - cf. Jo 20, 11-9). Esta liturgia dá continuidade aos louvores da Vigília Pascal, pois Cristo ressuscitou! E o projeto de Deus foi cumprido como havia prometido a humanidade desde gerações passadas. Nessa liturgia somos todos convidados a uma vida nova com Cristo.
            Desejo a todos os leitores deste artigo, que possam fazer uma rica experiência espiritual de toda a Semana Santa. Que Deus possa habitar os vossos corações, preenchendo-o com seu amor e sua Graça. E que através desta experiência íntima Ele, saibamos discernir a sua vontade para a nossa vida e para as nossas atividades do cotidiano. Que o bom Deus da Paz nos abençoe e nos fortaleça e nos ilumine sempre. Amém.

Escrito por: Frt. Gedeir Vieira, SDN
Religioso Sacramentino de Nossa, 
residente na Casa de Formação
 Pe. Júlio Maria - Estudante do
 2º ano de Teologia pela Faculdade 
Católica de Fortaleza


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